Reprodução/Freepik @yanalya
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Bruxismo noturno e apneia do sono são dois distúrbios relacionados ao sono que, muitas vezes, podem ocorrer juntos, compartilhando mecanismos fisiológicos e influenciando a qualidade do sono do paciente.

O bruxismo, caracterizado pelo ato involuntário de ranger ou apertar os dentes, pode ser classificado em bruxismo do sono e bruxismo em vigília, e está frequentemente associado a distúrbios respiratórios, como a apneia obstrutiva do sono (AOS).

A apneia do sono é marcada por interrupções repetidas da respiração durante o sono devido ao colapso das vias aéreas superiores, resultando em episódios de hipóxia (falta de oxigênio) e despertares frequentes. Estudos mostram que indivíduos com AOS apresentam uma maior prevalência de bruxismo do sono, sugerindo uma relação entre os dois distúrbios.

A teoria principal é que o bruxismo pode ser uma resposta reflexa a episódios de apneia ou hipopneia, ajudando a reabrir as vias aéreas obstruídas durante o sono.

Além disso, a presença de bruxismo em pacientes com apneia do sono pode exacerbar os sintomas e complicar o diagnóstico e o tratamento.

O esforço repetido de ranger os dentes pode gerar consequências musculoesqueléticas, como dores na articulação temporomandibular (ATM) e desgaste dentário, fraturas dentárias, além de intensificar o cansaço diário e a sensação de sono não reparador, que já são característicos da apneia do sono.

O tratamento para ambos os distúrbios pode envolver o uso de dispositivos intraorais, como placas de mordida para bruxismo e aparelhos de avanço mandibular para apneia, além de medidas comportamentais, como mudanças na postura do sono e controle do estresse. Identificar e tratar a apneia do sono em pacientes com bruxismo pode, inclusive, reduzir a frequência dos episódios de ranger os dentes, melhorando a qualidade de vida do paciente.

Em resumo, a associação entre bruxismo e apneia do sono é complexa e parece estar relacionada a mecanismos compensatórios do corpo para lidar com a obstrução das vias aéreas.

Diagnosticar e tratar ambos os distúrbios, de forma integrada, pode trazer melhores resultados e alívio para os pacientes.

Dra. Martha Salim

Colunista

Doutorado em Cirurgia Bucomaxilofacial (UNESP), Mestrado em Patologia Bucodental (UFF), Especialização em Cirurgia Bucomaxilofacial (UERJ), Capacitação em Odontologia Do Sono, Capacitação em Sedação com ÓXido Nitroso, Graduação em Odontologia (UFES), Atua como professora de Cirurgia Bucomaxilofacial da UNIVERSIDADE FEDERAL DO ESPÍRITO SANTO, Membro Titular do Colégio Brasileiro de Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial, Revisora Científica das Revistas: Journal of the Brazilian College of Oral and Maxillofacial Surgery (JBCOMS) e Brazilian Dental Science (BDS), Autora dos livros "Cirurgia Bucomaxilofacial: diagnóstico e tratamento" (1 e 2 edições), Anestesia Local e Geral na Prática Odontológica, além de colaborar com 38 capítulos de livros e artigos científicos publicados. @dramarthasalim

Doutorado em Cirurgia Bucomaxilofacial (UNESP), Mestrado em Patologia Bucodental (UFF), Especialização em Cirurgia Bucomaxilofacial (UERJ), Capacitação em Odontologia Do Sono, Capacitação em Sedação com ÓXido Nitroso, Graduação em Odontologia (UFES), Atua como professora de Cirurgia Bucomaxilofacial da UNIVERSIDADE FEDERAL DO ESPÍRITO SANTO, Membro Titular do Colégio Brasileiro de Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial, Revisora Científica das Revistas: Journal of the Brazilian College of Oral and Maxillofacial Surgery (JBCOMS) e Brazilian Dental Science (BDS), Autora dos livros "Cirurgia Bucomaxilofacial: diagnóstico e tratamento" (1 e 2 edições), Anestesia Local e Geral na Prática Odontológica, além de colaborar com 38 capítulos de livros e artigos científicos publicados. @dramarthasalim