Alerta

Chuva de madrugada: Defesa Civil orienta que pessoas em áreas de risco saiam de casa

Previsão é de que chuvas intensas atinjam regiões Sul e Caparaó durante a madrugada; kit emergência e observação do local também são recomendações do órgão

Foto: Sesp/Divulgação
Foto: Sesp/Divulgação

Após emitir um alerta de chuvas na cor vermelha para as regiões Caparaó e Sul capixabas para este fim de semana, a Defesa Civil do Espírito Santo ressaltou que os riscos são previstos, principalmente, para a madrugada deste sábado (05).

Durante coletiva de imprensa realizada nesta sexta-feira (04), uma equipe do órgão deu recomendações para a população e explicou que é preciso ter atenção, mas não é necessário se desesperar ou ter atitudes extremas.

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Devido ao horário da previsão de tempestades e rajadas de ventos, o órgão de proteção recomenda que moradores de áreas de risco, se possível, procurem outro local para passar a noite, como a casa de um familiar ou amigo.

A Defesa Civil considera como áreas de risco aquelas próximas das margens de rios, lagoas, córregos e encostas.

Major Lorena Defesa Civil
Major Lorena Rezende, chefe do Departamento de Prevenção e Recuperação da Defesa Civil. Foto: Thiago Soares/Folha Vitória

“Como as pessoas estão dormindo, para não ser pego de surpresa, principalmente onde a população já sabe que há o costume de ocorrer o transbordamento dos rios, dorme na casa de um parente ou de um amigo nesta noite (de sexta para sábado)”, indica a major Lorena Rezende, chefe do Departamento de Prevenção e Recuperação da Defesa Civil.

Outras recomendações são a preparação de um kit emergência, o acompanhamento dos alertas emitidos pelas defesas civis, tanto estadual quanto municipais, e a observação de sinais que podem apontar perigos.

Conforme a major, “é importante conhecer a região onde você mora”.

Para quem mora em encostas íngremes, a recomendação é observar alterações no terreno, como inclinação de postes e cercas e o aparecimento de rachaduras nas paredes.

Já aos moradores que estão próximos de rios, o principal sinal de alerta é a elevação do nível da água.

O kit, por sua vez, deve conter os documentos pessoais, medicamentos de uso contínuo, uma muda de roupa, água, alimentos não perecíveis e lanterna.

A Defesa Civil tem, fundamentalmente, duas maneiras de alertar a população: via SMS e Whatsapp (requer cadastro) e através do cellbroadcast (não precisa de cadastro e é utilizado apenas para alertas severos ou extremos que recomendam ação do receptor, como a busca imediata por um abrigo).

Para receber os alertas via SMS é necessário enviar o CEP da residência para o número 40199. Já para ser avisado pelo Whatsapp, basta enviar um “olá” para (61) 2034-4611 e seguir as instruções.

Previsão de chuva de até 120mm

A análise de diferentes sistemas meteorológicos aponta que alguns municípios do Estado podem receber até 120mm de chuvas. No entanto, o meteorologista do Simepar Mauro Bernasconi ressalta que o perigo em si não é o volume de chuva, mas a concentração dele em um curto espaço de tempo.

“200mm em um dia não é uma precipitação tão significativa se ela for bem distribuída. Mas, se falamos em 50mm em uma hora, ela passa a ser uma precipitação extrema e altamente significativa”, explicou.

Conforme o especialista, a chuva esperada para este fim de semana no Estado não tem a mesma característica daquela que atingiu o Sul capixaba no ano passado e devastou a cidade de Mimoso do Sul.

Naquele caso, o fenômeno era estacionário, ou seja, as fortes chuvas “estacionaram” na região e, por isso, causaram deslizamentos de terra e inundações.

Agora, o cenário é outro. A frente fria, que em contato com o ar quente causa chuvas intensas, passará pelo Espírito Santo sem “parar”. A previsão é que ela se desloque do Rio de Janeiro para o Estado capixaba e, em seguida, continue se movimentando rumo à Bahia e ao mar.

Exatamente por isso, as regiões Norte e Noroeste do Estado não devem ser tão impactadas, explicou o meteorologista do Incaper, Ivaniel Fôro Maia:

“A frente fria deve causar um impacto menos acentuado na Grande Vitória em relação à região Sul. Ela se desloca para o mar e então deixa de influenciar a porção mais Noroeste do Estado”.

A Região Metropolitana da Grande Vitória, no entanto, também pode registrar alagamentos e deslizamentos de terra em áreas mais vulneráveis, mas a probabilidade é menor.

Ações coordenadas nos municípios

O comandante-geral do Corpo de Bombeiros do Espírito Santo, coronel Alexandre Cerqueira, informou que a Defesa Civil estadual se reuniu na manhã desta sexta com os órgãos municipais para coordenar as ações.

Coronel Cerqueira
Coronel Cerqueira, comandante-geral do Corpo de Bombeiros. Foto: Thiago Soares/Folha Vitória

Segundo ele, o acumulado de chuva previsto é expressivo, mas a população não deve entrar em pânico. Cerqueira também afirmou que a equipe de plantão deste fim de semana estará com mais pessoas para atender ocorrências e monitorar a movimentação da frente fria.

“Nós temos meteorologistas de plantão 24h por dia, sete dias por semana, e temos uma capacidade de resposta muito melhor, com material, um centro especializado em resposta a desastres, quantidade de viaturas muito maior e um sistema que integra as agências do Estado com os municípios”.

Como funcionam os alertas

A equipe de meteorologia da Defesa Civil capixaba utiliza diversos modelos meteorológicos para determinar a probabilidade de um evento.

Ao emitir um alerta severo à população, o órgão indica que o risco de movimentação de terra ou alagamento aumentou. Já o alerta extremo prevê uma ação, como a saída de casa e busca imediata por um local seguro.

Já os boletins divulgados neste site indicam qual o impacto previsto da chuva em uma determinada região.

Atualmente cinco avisos estão ativos:

Sexta-feira, 4 de abril
  • impacto alto para as regiões Caparaó e Sul do Estado;
  • impacto moderado para a região serrana.
Sábado e domingo, 5 e 6 de abril
  • impacto excepcional para as regiões Caparaó e Sul do Estado;
  • impacto alto para a região Central e Metropolitana da Grande Vitória;
  • impacto moderado para as regiões Central e Norte.
Julia Camim

Editora de Política

Atuou como repórter de política nos veículos Estadão e A Gazeta. Jornalista pela Universidade Federal de Viçosa, é formada no 13º Curso de Jornalismo Econômico do Estadão em parceria com a Fundação Getúlio Vargas.

Atuou como repórter de política nos veículos Estadão e A Gazeta. Jornalista pela Universidade Federal de Viçosa, é formada no 13º Curso de Jornalismo Econômico do Estadão em parceria com a Fundação Getúlio Vargas.