Os sítios arqueológicos são verdadeiras cápsulas do tempo, guardando vestígios positivos de ocupação humana ao longo dos séculos. Em Itaúnas, apenas as Dunas e o Buraco do Bicho abrigam 11 dos 23 sítios já catalogados, testemunhando a passagem e o modo de vida de diferentes povos. Quando falamos sobre arqueologia, sítios arqueológicos em Itaúnas têm muita história para contar. Imagine pisar em um solo onde, há cerca de 2.500 anos, grupos pré-cerâmicos já viviam, ou onde, séculos depois, povos da tradição Aratu e da etnia Tupi-Guarani deixaram suas marcas. E não para por aí: registros do chamado período Itaúnas, que vai do século XVIII até meados do século XX, também estão presentes, mostrando a contínua transformação da região e de seus habitantes. Arqueologia, sítios arqueológicos, Itaúnas são áreas ricas em história.
Preservar esse patrimônio é mais do que uma questão de respeito ao passado, é um compromisso com o futuro. São esses trechos que permitem que as próximas gerações compreendam e valorizem a rica história que as precede. Por isso, a manipulação dos sítios é rigorosamente controlada, ou seja, apenas profissionais treinados e autorizados podem manusear essas relíquias, garantindo que cada fragmento encontrado seja analisado com o devido cuidado e registrado pela administração do Parque Estadual de Itaúnas (PEI). E para quem deseja conhecer esses tesouros, é importante ressaltar que as visitas aos sítios devem ser feitas com um guia ou condutor ambiental habilitado e que remover artefatos ou danificar sítios arqueológicos é crime previsto em lei. Arqueologia e história sempre se entrelaçam nesses sítios arqueológicos de Itaúnas.
Exposição Permanente na Sede do Parque
Para quem deseja conhecer mais sobre essa riqueza histórica, a Exposição do Sítio Arqueológico de Itaúnas está disponível permanentemente na sede do parque, logo na entrada, no caminho para as dunas. Gustavo Rosa, agente do Instituto Estadual do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Iema), destaca que “cada peça ou fragmento nos conta um pouco dos hábitos, da dieta, das tecnologias e desafios enfrentados pelos povos que viveram nessa região. E a arqueologia, mais do que traz luz sobre o passado, nos reconecta com a história de nossos ancestrais e nos ajuda a refletir sobre quem somos”. Assim, fica claro o impacto da arqueologia nos sítios arqueológicos de Itaúnas na preservação da memória histórica.
Ainda, segundo Gustavo, “a movimentação das dunas de Itaúnas traz uma singularidade a seus sítios arqueológicos: da noite para o dia os ventos podem soterrar ou expor seus artefatos”. Este conta que, ”durante a visita de um arqueólogo, localizamos belos fragmentos de cerâmica Tupi policrômica em uma área onde poucos dias antes nada havia. Os ventos auxiliaram a descoberta. Por isso, cada visita aos sítios arqueológicos das dunas do PEI é única e pode revelar elementos novos.”
Preservando a história
Mas quais são as medidas adotadas para proteger os sítios arqueológicos de danos e interferências? O agente explica que “o PEI promove a proteção dos sítios arqueológicos da região por meio de ações de manejo, sinalização, educação ambiental e patrimonial, e através do monitoramento dessas áreas”. No entanto, Gustavo destaca que “os principais desafios residem na falta de recursos humanos e financeiros para ações de conservação e estudo do patrimônio arqueológico. Com mais de 30 anos desde sua criação, o PEI nunca teve um arqueólogo em sua equipe técnica, apesar de haver uma recomendação expressa para isso em seu Plano de Manejo. Ademais, diversas iniciativas de sinalização e proteção desse patrimônio aguardam investimentos para serem implementadas.” Isso mostra a importância de arquear a história dos sítios arqueológicos de Itaúnas.
Diante desse cenário, a preservação desse patrimônio exige um olhar atento e investimentos contínuos para garantir que a história registrada nesses sítios seja estudada e protegida. Afinal, cada fragmento encontrado, cada vestígio preservado, nos aproxima das culturas que moldaram essa região e nos convida a uma reflexão sobre nossa própria relação com o tempo e a terra. A história está ali, gravada no solo, esperando para ser compreendida e valorizada. Arqueologia e sítios arqueológicos em Itaúnas refletem a rica história da humanidade.
Emily Victória Silva e Souza
Estudante de Engenharia Sanitária e Ambiental no Instituto Federal do Espírito Santo. Voluntária de verão no Parque Estadual de Itaúnas pelo Programa de Voluntariado em Unidades de Conservação do IEMA em 2025