Nesta quinta-feira (27), a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) anunciou a suspensão imediata das vendas da nova linha de cremes dentais Colgate Total em todo o território brasileiro.
A decisão foi publicada no Diário Oficial da União e provocou intensa repercussão nas redes sociais, levantando dúvidas sobre os motivos que levaram a agência reguladora a proibir a comercialização do produto recém-lançado pela tradicional marca Colgate.
A proibição ocorreu após diversos relatos de consumidores que apresentaram sintomas preocupantes após o uso contínuo ou mesmo esporádico do produto.
Segundo a Anvisa, os efeitos adversos relatados incluem desde inchaço nas amígdalas, lábios e mucosa oral, até sensação intensa de ardência, dormência e secura bucal. Houve ainda queixas de irritação e vermelhidão nas gengivas, além do aparecimento de aftas e feridas orais.
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A nova pasta dental “Colgate Total” substituiu recentemente uma linha já amplamente conhecida pelos brasileiros: a “Colgate Total 12”, que tinha em sua fórmula tradicional o fluoreto de sódio.
A mudança que gerou controvérsia, no entanto, foi justamente a substituição desse composto clássico por fluoreto de estanho, ingrediente menos familiar ao público brasileiro.
ENTENDA O IMPACTO DA MUDANÇA NA FÓRMULA
Em entrevista ao Portal LeoDias, a cirurgiã-dentista Ianara Pinho explicou detalhadamente as razões técnicas que levaram à aparição dessas reações adversas.
Segundo ela, a substituição do fluoreto de sódio pelo fluoreto de estanho é o ponto-chave das alergias observadas.
“Até então, a conhecida pasta Colgate Total 12 era composta exclusivamente por fluoreto de sódio, o que é comum e amplamente aceito em diversas marcas populares no mercado, justamente pela eficácia comprovada e baixo índice de reações alérgicas. No entanto, a nova fórmula do creme dental Colgate Total passou a incluir fluoreto de estanho. Esse componente é eficaz na prevenção de cáries, mas pode provocar reações alérgicas ou irritações mais frequentes, especialmente em indivíduos mais sensíveis ou previamente alérgicos, ainda que sem diagnóstico conhecido”, detalhou a especialista.
A profissional destaca que muitos consumidores brasileiros provavelmente desconheciam sua sensibilidade ao fluoreto de estanho, dada a menor prevalência deste ingrediente nas pastas dentais comercializadas no país.
Por isso, a reação inesperada e intensa surpreendeu os usuários, desencadeando uma série de reclamações, denúncias e postagens nas redes sociais, o que rapidamente chamou a atenção das autoridades sanitárias brasileiras.
RELATOS DE CONSUMIDORES GANHAM REDES SOCIAIS
Logo após o anúncio da suspensão da comercialização, internautas rapidamente compartilharam experiências negativas com o novo produto.
Usuários do X (antigo Twitter), Instagram e outras plataformas demonstraram publicamente os efeitos adversos sofridos, mostrando inclusive imagens das reações que surgiram após o uso da pasta.
Em um dos relatos, amplamente divulgado nas redes, um consumidor apresentou lábios extremamente inchados, gengiva avermelhada e descamação intensa da mucosa oral após utilizar a pasta por poucos dias. Casos similares multiplicaram-se rapidamente, fortalecendo as suspeitas sobre a nova fórmula introduzida pela Colgate.
COMPARATIVO COM OUTRAS MARCAS DE CREMES DENTAIS
A substituição do tradicional fluoreto de sódio pelo fluoreto de estanho é algo relativamente incomum no mercado brasileiro. Marcas como Sorriso, Oral-B e Close-Up tradicionalmente mantêm o fluoreto de sódio como ingrediente padrão devido à baixa incidência de efeitos adversos e ampla aceitação pelo consumidor.
Segundo especialistas, a utilização do fluoreto de estanho não é inédita na odontologia mundial, mas geralmente é restrita a produtos específicos para públicos diferenciados, principalmente em países com maior regulamentação e controle prévio sobre alergias e possíveis reações.
Contudo, o uso generalizado e repentino dessa substância em uma linha amplamente popular como a Colgate Total causou estranhamento, e possivelmente um despreparo na comunicação direta aos consumidores sobre os riscos e precauções necessárias.
Ainda segundo Ianara Pinho, as marcas concorrentes, por manterem o fluoreto de sódio na composição, não foram alvos de denúncias similares recentemente. Esse fator evidenciou que o elemento diferencial da nova Colgate Total. O fluoreto de estanho, é de fato a causa provável das reações adversas relatadas pelos consumidores.
O QUE FAZER SE VOCÊ UTILIZOU DOS CREMES DENTAIS
Especialistas recomendam fortemente que, caso qualquer consumidor identifique sintomas após o uso da pasta Colgate Total com fluoreto de estanho, o uso do produto seja imediatamente suspenso.
A orientação inclui também procurar atendimento profissional, seja com dentistas ou médicos especializados, para tratamento imediato e prevenção de complicações.
Entre as medidas de tratamento, segundo Ianara Pinho, estão o uso de medicamentos específicos para aliviar irritações bucais, como gel para aftas, anti-inflamatórios tópicos ou, em situações mais severas, o uso controlado de antibióticos, caso se identifique uma infecção mais grave.
POSICIONAMENTO DAS AUTORIDADES E PRÓXIMOS PASSOS
Até o momento, a Colgate não divulgou oficialmente novas informações sobre alterações futuras em sua fórmula ou medidas para ressarcir consumidores afetados. Por isso, a Anvisa, porém, seguirá acompanhando o caso para verificar se a proibição será mantida ou se outras orientações e determinações serão necessárias nos próximos dias.
A repercussão desse caso evidencia claramente a importância da comunicação adequada e cuidadosa das empresas ao introduzirem mudanças na composição de produtos de uso diário, especialmente aqueles relacionados à saúde pessoal, como os cremes dentais.
Segundo a Anvisa, foram oito notificações registradas, envolvendo 13 eventos adversos relacionados ao uso dessa pasta. Entre os principais sintomas relatados, estão:
- inchaço nas amígdalas, lábios e mucosa oral;
- sensação de ardência e dormência nos lábios e na boca;
- boca seca;
- gengiva irritada;
- e vermelhidão.
Em nota, a Colgate afirmou que está ciente da decisão da Anvisa e que entrou com um recurso que resultou na suspensão automática da interdição ainda nesta quinta.
“Seguimos tomando todas medidas cabíveis para interagir com a Anvisa e demonstrar a segurança do produto. É importante reafirmar que o produto não oferece riscos à saúde, mas algumas pessoas podem apresentar sensibilidade a certos ingredientes – como fluoreto de estanho, corantes ou sabores”, reforça a empresa.